quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Alexandria

Há muito não atualizo isso, mas me peguei pensando em escrever algo mais livre, e saiu isso aqui!



Gosto de música que faz pensar, independente de estilo.
E há tempos não me pegava pensando em uma música e tentando colocar no papel (ou no .txt) coisas que me vem à mente depois de ouvi-la.
Acho que as últimas músicas que me fizeram fazer esse exercício foram Uniform do Bloc Party e Eles Precisam Saber, do Resgate. Mas isso é outra história.

Tiago Iorc é um fenômeno recente. Fenômeno musical, da internet, porém, nunca havia me chamado a atenção. 
Sabe aquela coisa, já ouvi falar, parece talentoso, mas não parece que vai me agradar? Pois é, a impressão não era de todo errada. 
Não, o cara não é ruim. Tem talento, é ótimo instrumentista, e não tem como negar que, ao vivo, o cara é bom, afinal, não é fácil segurar as pontas sozinho em um palco. Mas vamos ao que importa.

Por ocasião do destino, fui convidado a fazer um vídeo com o cara (que não aconteceu), e acabei fotografando o show. E aí tive minha primeira oportunidade de ouvi-lo (exceto por Amei te Ver).

E me chamou a atenção um clamor do púbico por uma musica especifica. Essa mesma que dá titulo ao texto.
A música Alexandria, deixada para o final da apresentação, aparentemente é uma das mais requisitadas nos shows do cantor. 
Não à toa. Melodia boa, e uma letra bastante interessante. Sinal de vida inteligente num mercado fonográfico cada vez mais vazio. 

Ironicamente, creio que boa parte dos fãs da música não fazem ideia de que, 80% da letra foi escrita por Humberto Gessinger, um dos maiores poetas que o rock nacional brasileiro já teve. Mas em tempos de MP3, essa informação acaba passando batida. É a falta de conhecimento da qual falarei um pouco.

Tiago tem um publico definido. Um publico jovem e antenado. Nascido já com internet, celulares, tablets e computadores. Uma geração que já nasceu um pouco à frente da minha (sim, sou uma criança que cresceu nos anos 90 e viu de perto toda essa revolução acontecer).

Essa geração, que cresceu com google na mão, mp3, e etc., às vezes se perde no próprio discurso. Um discurso que parece muito inteligente, afinal, tem muita informação, mas que muitas vezes, vem com pouco embasamento e aprofundamento. E é disso que a música parece dizer.


Vivemos em um tempo onde todo mundo tem voz. E todo mundo acha que sua voz é mais forte que a do outro. Em tempos de eleição, isso fica mais claro. 

Sem tomar partido (sem duplo sentido), e utilizando-me de uma generalização superficial (que quero usar apenas para ilustração), isso fica muito claro nos discursos nas redes sociais. 
Vejo muitos, por exemplo, indignados com a derrota de Haddad nas urnas. Porém, me parece que a maioria desses (pelo menos os que eu pude ver), não moram na capital paulista. 
Daí passei a me perguntar: 1 – Será que ele era um candidato tão bom assim para os moradores quanto parece para os de fora? Ou o discurso é bonito, mas a realidade é outra? - 2 – Essas mesmas pessoas que, parecem inconformadas com a derrota, me parecem ser, em sua maioria, as mesmas que esbravejavam “Aceita que dói menos”, após o resultado das eleições presidenciais em 2014. 
Ou seja, um discurso que me parece, no mínimo, contraditório.

Porém, não vou me aprofundar nesse assunto, afinal, se tentar fazê-lo, cairia na contradição a qual questiono nesse texto. Prefiro deixar essa discussão política para quem realmente a entende e estuda.

Esse é apenas um exemplo que utilizei para chegar ao ponto que importa da música Alexandria.


Ao analisarmos com calma, vemos uma crítica sutil e bem estruturada a essa situação atual. “Gente demais, com tempo demais, falando demais, alto demais”
Sim, em tempos de facebook, todos somos críticos políticos, sociais, econômicos, juízes e técnicos de futebol, jurados de programas de calouros a artistas ou cozinheiros. Somos todos analistas e escritores, inclusive esse que vos fala.

Nos achamos tão donos da razão, que até palpite nas eleições americanas queremos dar. É gente demais, falando muita coisa, ao mesmo tempo, e no fundo, é só barulho. Pouca coisa ali tem conhecimento, sabedoria, embasamento. A maioria é informação, sem profundidade. A maioria é "O Trump é um idiota. Ele odeia os imigrantes", mas não fazem idéia da complexidade do assunto. E poucos ouvem, pesquisam e refletem. 
Voltando ao começo da música, vemos: “Não tiro a razão de quem não tem razão, não ponho a mão no fogo pois é verão, não dou razão, a quem perde a razão. Presta atenção, então"
Ao juntar com o refrão, a ideia de não perder tempo com tanto barulho e não arriscar dar credibilidade a quem não conhece do assunto do qual fala me parece bem clara. Afinal, como tirar a razão de quem não a tem? E afinal, quem a tem?

Em outra parte, ainda vemos “Não vi solução na mão da contramão, brincando com fogo pela atenção”, o que reforça ainda mais a ideia de que o autor não quer dar atenção à quem arrisca-se a opinar sobre o que não tem conhecimento, apenas para ter atenção, afinal, as pessoas querem mostrar aos outros que estão antenadas às coisas atuais. Ou as redes tem alguma outra função que não seja a de se mostrar algo, ou mostrar a nós mesmos?

Ou todos que estão lendo esse texto possuem conhecimentos embasados, teóricos e práticos sobre a situação política e social da Venezuela, por exemplo?
A maioria só tem a informação o que vê nos posts do facebook, mais uma ou outra manchete em portais e redes de notícias. A realidade a fundo, poucos em nosso meio conhecem.

É nesse calo que a música parece pisar. Todos temos muita informação acumulada, mas nem sempre esse monte de informações significa que temos conhecimento. 
“A gente teima, antes temia, já não sabe o que sabia”. Sim, insistimos em nossas convicções, e queremos mostrar que temos conhecimento de coisas que no fundo, estão bem longe de nós. Mas a gente teima em mostrar que sabe, sem medo de parecer que não conhecemos, afinal, quem realmente conhece?

Precisamos saber distinguir entre informação e conhecimento. Informação sem profundidade é vaga. Conhecimento é o conjunto de informações e experiências a respeito do assunto.

Gosto muito de uma teoria sobre conhecimento/informação do livro “Ontem Esponja, Hoje Peneira”, do pastor Marcos Botelho. Nesse livro, o autor trata justamente desse conceito que permeia essa nova geração. 
“Ontem”, conhecimento era algo cumulativo. Quanto mais, melhor, afinal, poucos tinham acesso. Eram necessárias enciclopédias, bibliotecas. Era necessário buscar conhecimento, pesquisar, gastar horas nesse processo, e absorver o máximo possível. Era necessário ser "esponja" e absorver tudo.
Hoje, mesmo quando não queremos, estamos sendo afogados por tanta informação. A tecnologia nos provém instantaneamente, todo tipo de informação que quisermos, e até as que não queremos. Por isso, absorver tudo já não é mais algo interessante. É preciso peneirar, escolher o que realmente importa.
Por isso, voltando à musica, voltamos ao momento onde o autor diz que “A gente queima todo dia, mil bibliotecas de Alexandria”.


Para os que não sabem, a biblioteca de Alexandria foi uma das mais célebres bibliotecas da história, e um dos maiores centros de saber da Antiguidade, e ficava na cidade de Alexandria, no antigo Egito. A biblioteca foi destruída por um incêndio cuja causa é misteriosa até os dias atuais. 
Como eu sei disso? Vi na wikipedia. Uma rápida pesquisa, e pronto, tenho a informação (que, por ser da wikipedia, nem sempre pode ser considerada a mais confiável). Mas para discorrer sobre o assunto, é necessário ter mais profundidade. Isso, não tenho.

Porém, o que o autor quer dizer com essa metáfora?
Creio que justamente sobre o fato de, ao querermos opinar sobre tudo, e sermos donos da verdade sobre todo e qualquer assunto, tomando como base apenas as informações que recebemos, aos poucos, vamos destruindo nossas bibliotecas, que são o conjunto de conhecimentos que vamos construindo em sociedade. 
Vamos ignorando o que foi construído por pessoas que se prontificaram a conhecer e estudar sobre tais assuntos, apenas para impor o que pensamos após analisarmos superficialmente algumas informações que encontramos no caminho. Ou pior, apenas para nos aparecer para os amigos.


Todos vamos criando nossas teses, nossas filosofias, nossas verdades. Interpretamos fatos e momentos históricos que acontecem atualmente, apenas através da nossa própria visão, e esquecemos, muitas vezes da imparcialidade e do real conhecimento sobre o que acontece. 

E a história vai acontecendo, e cada um a escreve como bem entende, ignorando o passado e sem deixar um legado para o futuro. É o viver pelos likes, pelos seguidores. É o olhar pro próprio umbigo. E com isso, as redes que serviam para nos aproximar, nos afastam, pois precisamos nos posicionar. E quem pensa diferente vira inimigo.

É a Alexandria que vivemos nos dias atuais.

Por isso o autor diz que “vamos lá, atrás de um pouco de paz.”. 
Sim, às vezes é preciso desligar, pesquisar, conhecer, estudar, peneirar, aprofundar. É o que fiz ao escrever esse texto. Ouvi e li outras análises sobre a música, pesquisei sobre a letra, sobre os autores. Ouvi repetidamente. E cheguei ao começo de algo, que espero que traga conhecimento, e não apenas uma vaga informação.
 É preciso viver além da atenção virtual. 


Simples assim. Pelo menos é o que eu acho. Se tenho razão? Nem eu sei...Vou pesquisar mais sobre isso...



Afinal, "Aqui tem gente demais".

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Toy Story 3


Lembro-me bem de quando vi Toy Story pela primeira vez. Tinha por volta de 10 anos e tudo aquilo era quase inacreditável. Era algo incrível ver um desenho feito totalmente em computador, fugindo das convencionais animações 2D.

Desde então, a tal Pixar tem cada vez mais nos surpreendido com animações cada vez mais bem feitas, e histórias de cair o queixo. Atualmente o nome Pixar não é mais só uma empresa de animações, e sim de cinema-arte. Roteiros como os de Monstros S/A, UP e Wall-E e são de deixar muitos filmes consagrados no chinelo, e esse Toy Story 3 não é diferente.

Desde o começo, a “brincadeira” de Andy é emocionante. O resgate, os “diálogos” entre os personagens, e a criatividade de Andy em criar “funções” para os brinquedos, como Slinky, o cão com campo magnético, nos remetem aos filmes anteriores, já preparando o clima de nostalgia que está por vir.

Simples e belo, o roteiro vai se desenrolando de uma forma bastante natural. Após os flashbacks da infância de Andy, mostrando todo o amor que ele tem pelos brinquedos, nos vemos 15 anos depois, com um Andy já adolescente, prestes a ir para a faculdade, enquanto seus brinquedos aguardam ansiosamente por mais um pouco de atenção, o que fica evidente quando Rex diz eufórico que “ele pegou em mim”.

Como sempre, Woody é o "cérebro" do “time”. Aquele que pensa sempre no seu dono, e tenta convencer todos a fazer o mesmo, mesmo sabendo que provavelmente irão passar o resto de seus dias no sótão. Mas como de costume, os outros brinquedos, talvez por ciúmes de seu dono sempre preferir Woody, nunca o ouvem. E é aí que começa a grande aventura.

Por engano todos vão parar na lixeira, e para fugir desse trágico fim, resolvem “se doar” para a creche Sunnyside, em busca de dias melhores. Contra sua escolha, Woody vai junto, porém consegue “escapar” e acaba sendo encontrado por Boonie, uma das personagens mais doces e simpáticas já criadas pela Pixar.

Enquanto isso, deslumbrados pelas maravilhas de Sunnyside, e liderados por Lotso, um urso de pelúcia bastante simpático, os outros brinquedos entram num pesadelo que parece não ter fim.

A partir disso, outros personagens menores roubam a cena, como o casal Barbie e Ken, com piadas excelentes sobre a “metrosexualidade” do mesmo, e um Sr. Cabeça de Batata versátil e heróico. Por fim, vemos um Buzz Lightyear autoritário, para pouco depois se tornar um hilário Don Juan. (O Rex não conta, ele é sempre um caso à parte).

Após muitas reviravoltas durante o filme, a Pixar consegue mais uma vez encantar a ponto de arrancar lágrimas. Depois daquela fantástica cena de UP, contando a vida do casal Fredericksen, parecia impossível uma animação conseguir tamanha dramaticidade. Porém, o que se vê nos 15 minutos finais de Toy Story 3 é de uma delicadeza poucas vezes vista no cinema.

Enfim, o filme fecha de forma brilhante esse ciclo. Após 15 anos e 3 filmes, Andy, Woody, Buzz e companhia ainda encantam e emocionam, como poucos personagens na história do cinema.

Resta torcer que a arte seja superior ao dinheiro, e a Disney/Pixar resolva não fazer mais continuações. Assim como em UP e Monstros S/A, certas histórias merecem ficar com seus finais não revelados.

E que nossa imaginação cuide do resto, assim como cuidava de Andy e seus brinquedos.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Uniform

O legal da música é que ela te faz pensar. Mesmo que a dita cuja seja tão ruim que faça com que você pense: “que lixo é esse?”, de alguma forma, a música é uma ação, e causa uma reação.

Porém, certas musicas nos levam a pensar além do simples “Essa é legal! Essa não!”.

Certas músicas nos levam a pensar sobre a vida, o universo, e tudo mais (citação indispensável de Douglas Adams).

Enfim, uma certa música me fez pensar um pouco sobre o mundo ao nosso redor, e suas variações de comportamento.

Kele Okereke diz em Uniforma respeito de uma sociedade que vem se modificando de forma fria e descompromissada, movida pelas tendências, supostamente rebeldes, desinteressadas e desinteressantes.

Nessa sociedade, vemos as famosas tribos urbanas. Tais tribos dificilmente se misturam, e algumas chegam a hostilizar as outras. Mas o que ganhamos com isso?

A moda e as tendências nos induzem a viver de acordo com o que elas nos direcionam. A música é apenas uma das formas pela qual se manifestam, e é o exemplo que utilizo para expressar tal pensamento.
Porém o que vemos, desde muito tempo, é que somos cada dia mais bombardeados pelo já batido e ultrapassado modo americano.

“Mas o que tem de tão legal nisso?”
Essa é a questão feita por muitos.

E nisso, vemos muitas tendências, modos de expressão, culturas. Moda.
Ultimamente o que mais temos ouvido falar é da moda emo. “Tudo é emo. E emo é lixo”. Mas será mesmo?

Penso que nada é descartável. Talvez você não goste ou aceite tal movimento, mas desprezá-lo sem conhecer seu ideal e valores, é ter a mente fechada. Se desprezarmos o movimento emo, perdemos, por exemplo, a oportunidade de conhecer bandas com muita qualidade, como Fall Out Boy, Panic At The Disco, entre outras.
Tais bandas, podem até ser bastante comerciais, porém são bastante criativas, com elementos diversos inclusos em suas influências. Existem também os lixos nesses meios, mas não entrarei em detalhes. E isso vale para a atual Black Music Americana” (termo que deixou de ser utilizado para o R‘nB e o Soul, para ser mais voltado para o Hip Hop e o Rap), e também outros movimentos, como o crescente “Indie Canadense” com Feist, Cat Power, entre outros nomes.


Mas imaginem se o mesmo tivesse acontecido quando surgiram o rock progressivo e o punk (entre outros movimentos da época).
Duas vertentes totalmente opostas, “brigando” frente a frente. Se descartássemos a importância de tais movimentos, críticas sociais e políticas vindas de ambos os lados (vide The Clash, Pink Floyd, entre outros) poderiam ter sido deixadas de lado com o tempo, mas a qualidade das mesmas, acentuadas pelas diferenças entre elas, tornou tais movimentos mais intensos e inesquecíveis. (Para se ter uma noção da “briga” diz a lenda que, um dos membros do The Clash só foi admitido após aparecer em um show com uma camiseta do Pink Floyd escrito “I Hate Pink Floyd”).


Porém voltando aos dias atuais, o que tenho percebido, principalmente no meio de “ciências humanas”, é que, graças à desvalorização e desprestigio, e principalmente a falta de criatividade e novidades do produto americano, a busca em ser diferente tornou-se tão difundida, que a “não-moda” acabou por virar mais uma moda.

É legal ser indie. Ouvir Interpol, Radiohead, Arctic Monkeys, Cansei de ser Sexy e algumas bandas desconhecidas. Usar roupas indie, camisetas com sátiras de logotipos de marcas famosas ou com personagens como o Seu Madruga, Chiquinha, entre outros.
Cultuar “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, “Corra Lola, Corra” e outros filmes europeus. Ser fã de Kubrick, Aronofsky, Gondry, entre outros.

E de repente, essa “desamericanização”, torna-se uma “onda cult européia”.

E dessa forma, vemos que Kele Okereke se mostra certo ao dizer, em Uniform, que “se sentiu desapontado ao ver que todos os jovens pareciam iguais, usando suas máscaras frias e indiferentes”. E ainda critica a sociedade que busca solucionar seus problemas de outras formas, quando diz: “beba no fim de semana para esquecer da tristeza, pense em mais coisas para comprar. A TV me ensinou como ser mal humorado e não amar nada, E como fazer meu cabelo crescer”.

E continua dizendo que: “Sou um mártir, só preciso de um motivo, Sou um mártir, só preciso de um por que, Acredito, só preciso de um momento, Acredito, só preciso de um por que, estamos achando difícil quebrar o “molde”, estamos achando difícil ficarmos sozinhos, estamos achando difícil passarmos um tempo só nosso, e não temos nada para dizer.”.

E completa dizendo simplesmente: “Uniforme”.

Sim, uniformes, como aqueles da escola, onde todos os alunos se vestem iguais, independentemente de sua classe sócio-econômica. Da mesma forma as tendências se manifestam. Por mais que tentem parecer diferentes, no fundo, todos acabam sendo iguais. Todos usam unifomes.

E assim, vivemos nesse mundo. Um mundo onde as pessoas seguem tendências, mesmo aquelas que dizem que não as seguem. E por mais que talvez não aceitemos, de alguma forma nos enquadramos em alguma delas. Não sou contra esses movimentos, e de certa forma, acho que me encaixo nessa "onda cult européia" (afinal, gosto do brit-rock, Gondry, etc.), mesmo não sendo contra o "produto cultural" norte-americano. Acho que é importante conhecermos tais culturas, pois, goste ou não, trata-se de conhecimento. Porém creio que existem coisas muito maiores do que rótulos e ideologias vazias.

E talvez por isso, Kele termina sua música, ressaltando o que havia dito no começo. “Havia certo desapontamento, ao sair da alameda. Todos os jovens pareciam iguais”.


quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Rent - No Day But Today



Acabo de rever a ótima adaptação do musical da Broadway escrito por Jonathan Larson, e a principio posso dizer que é uma das melhores adaptações que vi.

Com direção de Chris Columbus, e produção musical de Rob Cavallo (Green Day, My Chemical Romance), o que vemos aqui é uma bela produção, com as músicas do musical repaginadas por Cavallo, e atuações excelentes de Adam Pascal como Roger, Anthony Rapp como Mark, Jesse L. Martin como Tom Collins, Taye Diggs como Benjamin Coffin III, Wilson Jermaine Heredia como Angel, Idina Menzel como Maureen, Rosario Dawson como Mimi, e Fredi Walker como Joanne.

Exceto por Rosário (no lugar de Daphne Rubin-Vega) e Fredi Walker ( no lugar de Tracie Thoms), o que vemos é o elenco atual do musical na broadway, o que dá um toque a mais na produção (principalmente para nós, reles mortais que não tem a oportunidade de visitar Nova York e ver o musical).

Um filme simples, com temática forte, mas tratado de forma muito bela, devido à sensibilidade da história escrita por Larson, baseada no clássico "A Bohemia" de Giacomo Puccini. Na história de Puccini, vemos a Tuberculose como tema central, enquanto Larsson a adaptou para a atualidade buscando retratar a realidade de pessoas pobres com AIDS, como podemos perceber nessa tabela.

Larson, morto em 1996 com problemas cardíacos, não pode acompanhar o crescimento do sucesso de sua obra ao longo dos anos (chegando a ser citado e tornar-se referência em filmes e vários programas de TV, como os Simpsons, Family Guy, Scrubs, entre outros), assim como muitos prêmios e indicações, e claro, a excelente adaptação cinematográfica da qual estamos falando.

Um bom filme para quem gosta de boas músicas, bons intérpretes (tanto atuando, como cantando), versões das músicas melhores do que as originais da broadway (e viva Rob Cavallo), além de poder ter uma visão um pouco diferente desse mal que atinge cada vez mais nossa sociedade.

Enfim, assista.